
Uma investigação clínica sobre a constituição do sujeito à margem do direito de existir
Ronald Lopes de Oliveira · Prefácio: Maria Teresa Ferreira · Posfácio: Maria Ruca Amorim · 111 páginas
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E se, antes de perguntar "o que desejo?", alguém ainda precisasse saber: é permitido que eu exista? Foi diante dessa pergunta que a clínica começou a exigir outros ouvidos. Beatriz não suporta ser tocada. Elisa faz uma sessão inteira no escuro. Nádia vive como quem não encontra sequer uma sombra onde possa se recolher. Histórias diferentes, corpos diferentes, sofrimentos que não cabem numa mesma categoria — e, no entanto, uma figura insiste em reaparecer: uma sentença recebida cedo demais sobre o direito de existir, carregada não como algo que aconteceu, mas como aquilo que se é. Ronald Lopes de Oliveira chama de sujeito periphérico essa forma de subjetivação na qual apagar-se e insistir não são movimentos opostos. O sujeito reduz o próprio comparecimento para permanecer no laço e, justamente assim, continua comparecendo. Não se trata de uma nova identidade, diagnóstico ou estrutura clínica, mas de uma hipótese que só pode existir enquanto continuar capaz de ser recusada pela própria clínica. A partir dos casos e de um diálogo crítico com a tradição psicanalítica, este livro interroga também a posição de quem escuta. O que acontece quando interpretar cedo demais transforma o analista em mais uma voz da sentença? A resposta não é abandonar a interpretação, mas introduzir um gesto anterior a ela: sustentar a existência do sujeito justamente onde ela foi negada. Reconhecer antes de interpretar.

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Também no catálogo

Narrativas Pretas, Indígenas e LGBTQIAPN+ em uma Educação Transgressora
Organização: Jairo Carioca de Oliveira e Ronald Lopes de Oliveira · Prefácio: Brian Kibuuka · Posfácio: Robson Mello · 363 páginas
O estudo das masculinidades pretas, indígenas e LGBTQIAPN+ emerge como um campo interdisciplinar de análise, fundamentado em teorias críticas de gênero, raça e sexualidade. Valorizando vozes marginalizadas, busca-se desvelar as complexidades e interseccionalidades dessas experiências identitárias. Reconhecendo narrativas individuais e coletivas, este livro propõe uma reflexão crítica sobre os desafios, resistências e possibilidades de reconstrução das masculinidades em contextos sociais marcados por opressões estruturais. Com base em teorias interseccionais, busca-se contribuir para a construção de um conhecimento reflexivo e engajado, promovendo a equidade e o respeito à multiplicidade de expressões identitárias e visando desmantelar estruturas de poder e opressão.

Contracapa
O selo editorial do CPAPEC agora se desdobra em três selos irmãos. Mesmo gesto fundador — a Travessia — em três modos de escrever a partir da borda.
Pesquisas, ensaios e obras teóricas que legitimam narrativas marginalizadas no campo do pensamento.

A ficção que rompe e desloca o real. A prosa como contraponto ao verso — narrativas da margem que disputam o imaginário.

Poéticas marginais — poetas da periferia, saraus, oralidade insurgente. O verso que vem da borda.
O selo-mãe da família. Pesquisas, ensaios e obras teóricas que legitimam narrativas marginalizadas no campo do pensamento — psicanálise, educação e cultura a partir das bordas.
A Escuta antes da escrita. A pesquisa que parte da margem e devolve à margem o que produz.

A prosa como contraponto ao verso — a ficção que rompe e desloca o real. Narrativas da margem que disputam o imaginário, romance e conto a partir das bordas.
O real não é dado. A ficção tampouco. Entre os dois, a travessia.

Um Real Trapaceiro
Hudson A. R. Bonomo·com — |
Um homem que não dorme escreve, de madrugada, um livro sobre o que acontece quando a tela apaga e o quarto volta. O que começa como um ensaio sobre a nossa relação com as telas se transforma, capítulo a capítulo, em outra coisa: uma travessia pessoal pelo tédio, pela fuga, pela descoberta de que o chão sempre foi água, e pela aprendizagem — lenta, difícil, aprendida com quem nunca teve chão — de como se mover sobre essa água sem se afogar.
No caminho, o narrador encontra Alice, que encolheu para caber na tela e nunca mais voltou. Encontra Dona Cida, que faz a água subir numa encosta onde nada funciona como deveria. Encontra Roberto, que acorda dentro do pesadelo todo dia e vai trabalhar. Encontra a ilha de Morel, onde as imagens dançam, consolam e respondem sem ter ninguém dentro. E encontra a coisa que responde — uma inteligência artificial que o acompanha de madrugada, que nunca dorme, que nunca hesita, e que lhe oferece, a cada parágrafo, a tentação do mundo pronto.

Poéticas marginais — poetas da periferia, saraus, oralidade insurgente. O verso que vem da borda, da rua, do território.
Onde o Estado não chega, a palavra atravessa em verso.

Projeto de Poesia Colaborativa · Volume 3
Organização: Jairo Carioca de Oliveira·onze poetas
Em A Gaveta dos Poemas Esquecidos, volume 3, a poesia abre sua última gaveta para revelar onze mulheres que transformam silêncio em corpo, memória e linguagem. Nascido no susto da pandemia, o projeto chega ao fim como quem acende uma casa depois do apagão — cada poema guarda ferida, riso, perda, desejo, maternidade, negritude, fé, desamparo e resistência. Aqui, escrever é sobrevivência. São vozes que não pedem licença para existir; rasuram destinos, inventam mundos e fazem da palavra um território de liberdade. Um livro para ser lido com olhos, pele, coração e alma toda inteira aberta e viva. A poesia vive.
O ponto vermelho é o sujeito periférico — aquele que está à margem, mas que agora ganha centralidade. As ondas que se cruzam representam a escuta sem fim, a interseccionalidade e o diálogo contínuo entre diferentes saberes. Da Escuta Periphérica nasceu a família. O mesmo gesto fundador — o ponto e a travessia — percorre os três selos em três caminhos: o pensamento (Escuta), a ficção (Prosa) e a poesia (Poética).
Recebemos propostas para os três selos — pesquisa (Escuta), ficção (Prosa) e poesia (Poética). Conte de qual selo é a sua obra ao submeter.